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27 de Outubro de 2020
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    Hemocentros enfrentam crise na doação de sangue por conta da pandemia do coronavírus

    O avanço da pandemia do coronavírus, que resultou em um estado de alerta da população e nas recomendações de isolamento domiciliar, fez cair drasticamente o número de doações de sangue nos hemocentros de todo o País. Atento ao problema, o Instituto Brasileiro de Direito de Família – IBDFAM convida seus associados a esse ato de solidariedade.

    “Nos últimos meses, todas as unidades vêm enfrentando uma queda nos estoques de sangue devido a diversos fatores, como as fortes chuvas e feriados prolongados. Agora, com a pandemia do coronavírus, o quadro se agravou”, informa Viviane Guerra, gerente de Captação e Cadastro da Fundação Centro de Hematologia e Hemoterapia de Minas Gerais – Hemominas.

    Para ter um estoque adequado de atendimento das demandas, a Hemominas precisa receber cerca de 1.100 doadores por dia. Em março, foram cerca de 970 doações/dia. Há falta, principalmente, dos grupos sanguíneos Rh negativos, como O-, conhecido como doador universal, que está 35% abaixo do ideal. Também há carência dos tipos O+, A+ e AB-.

    Medidas de precaução

    Segundo Viviane, é possível ser solidário e, ao mesmo tempo, seguir as orientações divulgadas pela Organização Mundial de Saúde – OMS para evitar a contaminação da COVID-19. O atendimento na Hemominas está sendo feito por agendamento, o que agiliza o processo e evita aglomerações.

    “É importante esclarecer que os espaços onde a doação de sangue ocorre são ambientes de pessoas saudáveis: só doa sangue quem está em plenas condições de saúde. É um processo seguro, realizado por profissionais capacitados e que seguem todas as normas de proteção e segurança. A fundação tem tomado todas as medidas necessárias para a gestão do estoque de sangue entre as unidades e também trabalha com o esclarecimento à população sobre o vírus e suas formas de prevenção.”

    Desde o início da pandemia, foram incluídos novos critérios na triagem clínica do doador de sangue, além de procedimentos para tornar os processos mais seguros. “Com relação ao doador e pacientes, entre as medidas de higienização e prevenção, destacam-se: a obrigatoriedade do uso do álcool gel 70% nas mãos (qualquer doador ou pessoa que entrar nas unidades); só são aceitas caravanas de doadores de, no máximo, 10 pessoas; e as salas de espera das unidades foram reorganizadas de forma a garantir um distanciamento mínimo de um metro entre os doadores”, informa Viviane.

    Sangue é remédio insubstituível

    Para enfrentar a crise, a Hemominas também intensificou suas campanhas. “Toda ação da sociedade em prol da doação de sangue é sempre muito bem vinda e reflete diretamente na melhoria dos nossos estoques. A sensibilização das pessoas é essencial para o sucesso da campanha. A necessidade de sangue é diária e há pacientes que dependem da transfusão para viver. Doar sangue é permitir a continuidade da vida de várias pessoas”, aponta Viviane.

    “Os pacientes hematológicos atendidos pela Fundação em Minas Gerais, bem como todos aqueles que estão nos hospitais na dependência de transfusões, ficam duplamente fragilizados: pelo vírus em si e pela falta de sangue e hemocomponentes necessários à sua sobrevivência. Sangue é um ‘remédio’ insubstituível: não se fabrica, não se compra, não se vende”, defende Viviane.

    O Ministério da Saúde tira todas as dúvidas sobre a doação de sangue, como as unidades de coleta mais próximas e os requisitos necessários. Clique aqui.

    Para os mineiros, o site da Hemominas traz informações detalhadas sobre o agendamento e o processo de doação.

    Solidariedade e empatia

    “A solidariedade nasce da capacidade em se colocar no lugar do outro, da empatia. A empatia é capital social por excelência”, diz a psicanalista Giselle Groeninga, diretora das Relações Interdisciplinares do IBDFAM. “A empatia e a solidariedade são qualidades psicológicas superiores que, no entanto, se desenvolvem também, mas por certo não só, pelo medo de que aconteça comigo o mal que assola ao outro. E, no caso atual, a negação, a racionalização e outros mecanismos psicológicos não mais conseguem nos imunizar.”

    “Nestes momentos em que o individualismo e a exclusão não protegem da vulnerabilidade – característica inerente ao ser humano –, o recurso à solidariedade, mesmo que impulsionada pelo medo, pode ser um importante vetor de mudança. Assim é que a solidariedade ganha força também pelo medo de um colapso social e pela negada consciência de que o sistema de castas e de exclusão está na contramão das lições da natureza, e que somos forçados a duras penas aprender”, acrescenta.

    Para a psicanalista, em uma sociedade em que a conquista da individualidade é, por vezes, distorcida em individualismo e egoísmo, a solidariedade ganha o sentido de caridade. O contexto de pandemia, contudo, pode ser o momento propício para desconstrução dessa ordem, abrindo a possibilidade de novos caminhos.

    “O medo pode fazer com que repensemos prioridades e, com isto, podemos fazer as contas do que se tem sobrando. E uma vez que se experimenta a gratidão por ter o que dar ao outro, o quão reconfortante é dar ao outro o que se tem a mais e, ainda, o quanto assim podem se aliviar culpas pelas diferenças, abre-se caminho para uma sociedade mais justa”, opina Giselle.

    Segundo ela, a doação de sangue também pode abarcar à vida dos doadores. “É uma solidariedade que além de ter um grau mais alto de altruísmo, não é tanto movida por medo, traz como vantagem o se dar ao outro – anônimo – não só o que não faz falta e que não representa sacrifício, como o que se renova naturalmente – o sangue. O resultado pode ser, em termos psicológicos, o sentimento de gratidão também para com si mesmo, e o de fé na própria vida.”

    Assista ao vídeo da campanha Doe Sangue, que conta com o apoio do IBDFAM.

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